Magia, rituais, religião e misticismo acompanham o mundo desde que ele é mundo. Mas será que tudo isso é real? Esse é o questionamento que Liam Le Guillou procura responder no documentário A Cursed Man. procurando em culturas diferentes, pessoas que possam jogar maldições nele mesmo.

Liam se diz cético porém questionador. Ele quer saber se o sobrenatural é real, mas acha que pedir uma benção ou coisas boas pode ser muito generalista e “fraco” para ter uma prova. Por isso ele escolhe ter diversas maldições direcionadas para si, querendo documentar as consequências e o andar da sua vida após isso.

Logo no começo do filme temos um aviso sério que ocupa toda a tela: ninguém vai se responsabilizar pelas consequências que possam vir a quem assistir esse documentário. E já posso te adiantar que as consequências podem ser resumidas em vergonha alheia e tédio.

A Cursed Man Review: Super-Hex Me - by Luke Y. Thompson

A premissa e o marketing prometeram muito, mas o produto final entregou tão pouco que ficou difícil defender. Liam busca xamãs na Índia, no México, e Nova Orleans. Ele entrevista outros espiritualistas e estudiosos do paranormal e todos parecem ter o mesmo questionamento: pra quê? Nessas conversas todos o desejam boa sorte, o alertam de estar brincando com fogo. Alguns se recusam à amaldiçoá-lo, e reforçam que poderes devem ser usados para o bem.

Quando encontra pessoas dispostas, vemos um elemento comum nos rituais: elas deixam claro para as entidades que “dêem a este homem o que ele mesmo está pedindo”. Os avisos são de desgraças, acidentes e até possível morte. Mas em resumo é um homem branco em crise de meia idade que tem muito tempo livre e dinheiro nas mãos. Ele diz querer acreditar e essa seria a única maneira de provar que sim, tudo é real.

O documentário apesar de narrações toscas, comentários clichês, tenta não ofender as religiões e as pessoas. Enquanto invade espaços para um capricho egoísta. Ao mesmo tempo que não diz se é real ou não, deixando para os expectadores tirarem as próprias conclusões. Infelizmente o diretor é tão sem carisma em tela que fica difícil se conectar, criar empatia com suas motivações e realmente aproveitar as filmagens como registro cultural quando por exemplo utiliza um drone para filmá-lo no meio da floresta indiana em pose meditativa.

A CURSED MAN asks “Is magic real?” by daring spiritual leaders to curse our  documentarian — Moviejawn

Claro que após um ou outro pesadelo com seu gato e cortar o joelho numa queda de bicicleta com “manobras radicais” na natureza, Liam decide se livrar das maldições para que as coisas não piorem. Sua abordagem meio sem direção por todo o caminho, leva a uma conclusão tão deslocada quanto todo o resto.

A premissa é super interessante e pra quem se interessa pelo tópico, fica difícil não aguçar a curiosidade e dar play na obra. Uma pena que sua execução seja abaixo de mediana, nem que fosse apenas por um viés informativo cultural.

A Cursed Man estreou em 2025,  dirigido por Liam Le Guillou tem apenas 98 minutos que mais parece uma maldição à quem curiosamente como eu, achou que sentiria medo e impacto… mas acabou com tédio. Eu quis acreditar que esse filme era bom e interessante, mas meus questionamentos continuam. Pelo menos Liam tentou e fez uma produção independente que reverberou pelo mundo e pela internet.

A Cursed Man (2025) - IMDb

Nome: A Cursed Man
Direção: Liam Le Guillou
Roteiro: Liam Le Guillou
Elenco: Liam Le Guillou 
Ano de Lançamento: 2025

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