Um casal que não se conecta há anos pode passar por muitas coisas (inclusive pelo pior) antes de chegar à um término ou ainda outra opção. Michael Shanks dirige Together (Juntos), seu longa de estréia ao lado de nomes já bem conhecidos como Alison Brie, Dave Franco e Damon Herriman. O filme tem sido anunciado como um dos mais aterrorizantes do ano.

Millie é uma professora com uma nova oportunidade de emprego em uma cidadezinha afastada de Nova York, onde deixará tudo pra trás: o caos, sua família, seus amigos e seus sonhos frustrados. Tim é seu namorado há dez anos e a acompanhará nessa mudança. Ele é um músico que não trabalha mas que sonha em viver da fama inexistente de sua banda. 

O sonho do recomeço para um casal em crise parece a oportunidade perfeita para ser abraçada neste novo cenário. Mas sabemos que não é apenas mudando de endereço que problemas se resolvem, afinal quem está envolvido continua lá. E esses problemas parecem nem chegar perto de uma resolução, pelo contrário, pioram a cada dia. Ao mesmo tempo que novas coisas estranhas começam acontecer como pesadelos, histórias locais bizarras e outro casal desaparecido há pouco tempo na região.  Após o casal cair numa gruta e beber a água ali disponível, os mistérios aumentam.

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Cheio de momentos de vergonha alheia, percebemos em diversas falas espinhosas um dos principais pontos de reflexão do filme: até quando vale a pena insistir numa pessoa e prolongar uma relação? Se há dez anos, a dinâmica só piora, o que precisa acontecer para alguém simplesmente terminar? Será que apenas amor sustenta um relacionamento?

Assim nos é escancarado que Together veio para criticar as dinâmicas relacionais modernas e principalmente deixar em evidência o quanto a codependência é silenciosa e nociva para todos os envolvidos. Em uma cena entre Millie e Jamie (seu vizinho e colega de trabalho), ele prega um discurso muito comum e romantizado das relações em que o amor salva tudo. É só dar uma chance. Vai passar. Mas, será?

Para ilustrar esses pontos Shanks utiliza dessa metáfora dos protagonistas estarem literalmente colados. Quando estão longe começam a passar mal, inicialmente Tim quem é muito mais dependente, já que depende financeiramente de Millie e até para se locomover pois não dirige. Depois ela também começa a sofrer fisicamente quando passa a se questionar ou imaginar uma vida sem Tim, pensando em abrir mão de uma versão do companheiro que não existe mais.

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A metáfora se utilizando do body horror é muito certeira e poderia ter sido ainda mais ousada, mais sangrenta e mais explícita. São cenas pontuais que causam tensão, repulsa e aflição onde poderiam estender seu tempo em tela. E sem dúvida as que existem são as mais marcantes do filme. Porém quem não é fã de body horror pode assistir com um pouco mais de tranquilidade e breves momentos de fechar os olhos.

Piadas, alívio cômico e ironia vão aparecendo cada vez mais após o segundo ato. Mesmo com um ótimo timing, essa mescla de gêneros não deveria diminuir o horror proposto mas sim alavancá-lo. O que acontece em alguns momentos, enquanto outros parece passar despercebido. E ainda consegue tornar-se um filme engraçado, divertindo o espectador dentro do seu absurdo.

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A explicação para o fenômeno parece ser acrescentada à narrativa apenas para responder um porquê. Enquanto não é explorada e apressada, é um dos elementos que se perde no roteiro, fazendo-se até desnecessária se o foco estivesse voltado apenas para o casal e o body horror em si, já que o corpo traduz fora o que é sentido por dentro, onde o casal se odeia e se sente preso um ao outro, e isso bastaria para continuar aterrorizante e evidenciar os pontos que dispõe a criticar.

Sua conclusão é bem literal, assim como tantos elementos do filme todo. Apesar de dividir opiniões, combina com a mistura de tons e a bagunça de roteiro que se apresenta. Juntos não é o filme mais aterrorizante do ano, mas consegue em 102 minutos entreter e questionar (pelo menos um pouco) até que ponto somos capazes de ir apenas para não ficarmos sozinhos. Na lista de favoritos de uns e de decepção de outros, ainda assim não deve deixar o seu radar de assistidos do ano.

O filme faz sua estreia dia 14 de agosto de 2025 nos cinemas brasileiros. Você poderá conferir uma crítica com spoilers, em breve no nosso canal do youtube

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Nome: Together / Juntos
Direção: Michael Shanks
Roteiro: Michael Shanks
Elenco: Alison Brie, Dave Franco, Damon Herriman
Ano de Lançamento: 2025

One Reply to “Together (2025)”

  1. Adorei a crítica, deu bem a ideia do que esperar do filme. Pretendo assistir. Adoro o Rainhas do Grito, continuem com o ótimo trabalho. Bjos, Nat, você é ótima também no podcast, não perco por nada!

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