Após grande sucesso com Hellbender, a família Adams retorna com mais uma produção de horror adquirida em parceria direta com a Shudder. Mother of Flies é a nova obra que conta com a direção, roteiro e atuação do trio em constante ascensão no gênero.
Mickey (Zelda Adams) é diagnosticada com um câncer em estado avançado e irreversível. Com poucos meses de vida em vista, ela embarca com seu pai, Jake (John Adams), em busca de uma última tentativa de “tratamento”. No meio de uma cabana na floresta, eles encontram Solveig (Toby Poser) que promete ajuda gratuita através da magia e da natureza.
A bruxaria, o gore, a natureza e filtros de cores frias são elementos que se repetem nas obras da família Adams para criar uma atmosfera silenciosa que abusa de cenas gráficas jogadas quase que aleatoriamente para não nos esquecermos de que algo muito errado está para acontecer. Aqui, infelizmente, a única coisa que não combina com tudo isso são as músicas utilizadas em momentos específicos, contrastando com o constante zumbido de moscas que acompanham o longa do começo ao fim.
Solveig está claramente incomodada com a presença não anunciada de Jake, e tenta sabotá-lo para se distanciar enquanto busca momentos sozinha com Mickey. Ela está sempre balbuciando encantamentos e proferindo bênçãos que mais parecem maldições. Jake é cético e desconfia de tudo ao seu redor, enquanto Mickey não tem nada a perder e segue à risca tudo que lhe é orientado pela misteriosa mulher que está ao seu lado.
Com um toque mais caseiro do que as obras anteriores, os efeitos especiais e práticos dão uma impressão muito caseira que conversa com o tom intimista de uma história muito pessoal. Toby também enfrentou um câncer fora das telas, e ela é realmente o grande destaque, conduzindo com uma atuação veterana e de qualidade. Já Zelda e John mantêm uma régua morna, destoando da carga emocional que certas cenas e circunstâncias exigem. É nítido que todos se sentem muito à vontade uns com os outros em set, mas que deixam a desejar quando estão ao lado de Toby.
O filme traz grandes contrastes entre cura e dor, como por exemplo o sistema de saúde prometendo tratamentos para a melhoria e sendo extremamente invasivos, causando ainda mais sofrimento em seus pacientes. Ou como a distância emocional entre pai e filha se faz ainda mais presente num momento de grande conexão e intimidade com essa busca final. O questionamento constante de “como uma casa sem tecnologia, plantas, chás, encantamentos, rezas e a própria natureza podem de fato ajudar em algo que toda racionalidade e dinheiro de Jake não conseguiram comprar?”
As falas e sussurros misteriosos e constantes de Solveig são por vezes excessivos, ao mesmo tempo em que algumas performances são travadas. Por vezes o filme não parece polido o suficiente, mas é palpável que tem a intenção de ser cru e mesclar elementos para sua abordagem emocional.
Sangue, lama, tripas enaltecem a dor de ver quem amamos sendo levado por doenças e ao mesmo tempo servindo de metáfora para outras experiências femininas abordadas no longa. Mother of Flies é um folk horror que respeita e melhora o estereótipo da “bruxa da floresta” e coloca o body horror como uma cereja no topo de um bolo feito por uma necromante.
O filme acaba de estrear no Fantasia International Film Festival e vencer, dentro do festival, o prêmio Cheval Noir Award por melhor filme. Foi adquirido pela Shudder e estará disponível exclusivamente na plataforma a partir de 2026. A família Adams continua surpreendendo aos fãs de terror, mesmo que dividindo opiniões do público, porém merece todo respeito, atenção e seu precioso tempo para conferir o filme.
Nome: Mother of Flies
Direção: Toby Foster, John Adams, Zelda Adams
Roteiro: Toby Foster, John Adams, Zelda Adams
Elenco: Toby Foster, John Adams, Zelda Adams, Lulu Adams
Ano de Lançamento: 2025