Sucesso com os usuários do TikTok, alguns prêmios e uma narração não convencional, Bunny chegou em 2024 no Brasil através da editora Globo Livros. Originalmente publicado em 2019, o livro ganhou recentemente uma prequel/sequel e esteve em pauta no nosso Clube do Livro.
Samantha é bolsista de mestrado numa universidade de prestígio voltada para a elite. Em seu curso de Escrita Criativa (Fiction), divide as aulas com outras quatro garotas que são extremamente unidas, quase dividindo a mesma mente, que ela não tão carinhosamente chama de “as Bunnies”.
Mesmo as desprezando, recebe um convite inusitado para participar de uma das suas festas. Após muito debate interno e compartilhar com sua amiga Ava (uma anarquista que é contra tudo que esse contexto representa), Sam decide aceitar e assim, começa a tornar-se uma delas.
A escrita é cheia de referências. Tantas referências que acaba se repetindo por tanto tempo que prejudica o ritmo e o desenvolvimento da própria história. Narrado em primeira pessoa, Sam é uma narradora não confiável e somos levados apenas pelo seu ponto de vista de tudo. As personagens infelizmente são rasas e lembrando tanto o filme “Mean Girls” que fica um pouco difícil acreditar que são mulheres adultas inseridas no meio acadêmico.
O livro é tido como uma sátira, que deveria criticar alguns desses estereótipos do meio ao mesmo tempo que trabalha com temas como a solidão, pertencimento, isolamento, entre outros. Misturando elementos de um realismo mágico com essa “mente compartilhada de colméia”, rituais que transformam coelhos em homens, entre outros. Porém, toda a mistura parece morrer na praia e não há uma crítica de fato que se sustente.
Com falas expositivas, sem contrapontos para o desenvolvimento narrativo, ter uma uma escrita experimental não parece ser o suficiente aqui. Não abraça o absurdo, não abraça o horror, nem a comédia e nem a crítica. Por isso beira ser pretensioso e performático.
O ritmo melhora pelo terceiro ato, mas sua revelação acaba não tendo lá tanto impacto devido o caminho pouco pavimentado até ali. Apesar de bem intencionado e até trazer elementos relacionáveis, Bunny continua sendo um livro que divide opiniões. Quem está acostumado com realismo fantástico, narrativas de terror, entre outras estranhezas, pode achar extremamente mediano. Já para quem não está acostumado, pode servir como uma leitura introdutório. Molhe os dedos dos pés e confira por conta própria!
Não é um livro que precisa de explicações para os mistérios. As Bunnies são ainda mais interessantes que a protagonista e causam uma estranheza que nos fazem ficar interessados a ler até o final. Inclusive, sabia que a palavra “bunny” aparece em torno de 350 vezes ao longo da leitura?
Bunny fez parte do cronograma do Clube de Leitura Poison do Inferno, uma parceria do Rainhas do Grito com a livraria Poison Books. Os encontros acontecem todo último domingo do mês, gratuitamente e presencial na livraria que está localizada em São Paulo. Você pode conferir as próximas leituras e demais informações aqui.

Título: Bunny
Autora: Mona Awad
Ano de publicação: 2019 Canadá e 2024 BR
Editora: Globo Livros
Páginas: 336

