Qual a linha que separa um filme de um aviso para cautela de uma lição moralista? Fear (1996) dirigido por James Foley, parece andar em corda bamba sobre a mensagem que quer passar com esse thriller que tenta ser erótico e policial, mas acaba nos trancos e barrancos abruptamente.

Uma família tradicional não é tão perfeita assim. Steve Walker (William L. Petersen) é o provedor que está sempre trabalhando e quase nunca dá atenção à sua esposa Laura (Amy Brenneman) e seu filho pequeno. Enquanto sua filha Nicole (Reese Whiterspoon) tenta navegar pelos dramas adolescentes pelo olhar da inocência e desejo de não ser tão inocente assim.

The Ending Of 1996's Fear Explained

De início nos são apresentados alguns conflitos familiares como o julgamento das roupas de Nicole por parte de seus pais. A falta de compromisso deles também a leva a sair com uma amiga que tem uma personalidade constrastante, já que tem muito mais facilidade em lidar com garotos.

É aí que num flerte de desejo mútuo que ela conhece David (Mark Wahlberg), um jovem bonito que se mostra interessado em tudo sobre ela. Caímos no clichê que infelizmente é real demais: tudo é muito bom para ser verdade. Os primeiros sinais são dele não respeitar sua hora de ir embora, mudando os ponteiros de seu relógio. E no auge de um orgasmo sendo masturbada numa montanha-russa, despenca para apanhar enquanto ele esmurra seu melhor amigo por ciúmes.Review | Fear (Blu-ray) | Blu-ray Authority

Os personagens são tão rasos quanto seus estereótipos: Nicole é a jovem inocente seduzida que sofrerá as consequências de se envolver e se entregar “ao primeiro que aparecer”. David é o sedutor que mente sobre tudo e é podre por debaixo de seu belo rosto. E é seu pai, protetor e preocupado, que estava certo o tempo todo ao desconfiar do novo namorado da filha. Ele é quem irá salvar à todos num embate final tão rápido, seco e sem muito por quê.

Em sua tentativa de erotismo, as motivações e desenvolvimento (quê desenvolvimento?) são quase risíveis. Como muitos thrillers dos anos 90, é uma sedução meia-bomba que nem traz tensão e nem elementos para funcionar como um “coming-of-age” que deu errado.

Este foi o primeiro protagonismo na carreira como ator de Mark Wahlberg. Após seu sucesso como rapper de corpo trincado, sua estréia em estar à frente neste filme, foi um fracasso. Mesmo com uma boa premissa que poderia trabalhar dominação, controle parental, desejo e paranoia, o roteiro vai por um caminho mais óbvio, clichê e expositivo. O espectador é tido como burro, assim como a maior parte de seus personagens.Fear (1996) - IMDb

O preço de levar uma dedada gostosa por um rosto bonito, foi caro demais para Reese Whiterspoon, que por sorte sua carreira não dependeu deste desastre. Um filme que ficou esquecido nos anos 90, é melhor continuar por lá. As cenas ridículas podem te fazer rir de nervoso e é como se o título, nunca nem fosse levado em consideração.

Medo eu senti do tempo perdido ao assistir um filme que nem causa tensão, nem diversão e nem muito tesão. A mensagem não ficou clara: confie em seus pais controladores e os deixem escolher seus parceiros? Não perca a virgindade com homens padrões que parecem “areia demais pro seu caminhãozinho”? No fim, gosto de pensar que se os sinais estão lá desde o começo: caia fora. Mesmo que o abdômen trincado de um rostinho bonito te faça pensar o contrário.

Fear | Rotten Tomatoes

Nome: Fear (O Medo)
Direção: James Foley
Roteiro: Christopher Crowe
Elenco: Mark Wahlberg, Reese Witherspoon, William L. Petersen, Alyssa Milano, Amy Brenneman
País: EUA
Ano de Lançamento: 1996

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